Notícias

Encontro em São Paulo aponta os desafios da Rede

“A Rede hoje vive um momento novo, não só pela mudança na sua estrutura de governança, mas pela sua ambição política que está dialogando com a nova expressão política do Brasil de buscar um desenvolvimento de baixo carbono”. Com essa afirmação, a presidente de Honra da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade (Rede), Izabella Teixeira, iniciou o 1o Encontro da Rede de 2016, na última quinta-feira (25), em São Paulo.

Segundo Izabella, o projeto da Rede de ser catalizadora de uma discussão de expansão do uso de energia solar no Brasil vai ao encontro do desejo da sociedade de trilhar novos caminhos de desenvolvimento que permitam a inclusão social e política pela capacidade de acesso a energia ou mesmo pela capacidade de reduzir emissões a partir de um novo conceito de acesso a energia.

Izabella lembrou que diferente de um passado recente, quando os países em desenvolvimento eram o destino de tecnologias obsoletas, o Brasil hoje é um lugar aonde as pessoas querem desenvolver novas tecnologias pelo seu protagonismo no debate sobre clima e energias renováveis. Otimista, ela acredita que o Brasil pode apontar caminhos para outros países em desenvolvimento desde que suas soluções não sejam baseadas em "achismos" e que a indústria brasileira esteja calcada em negócios sólidos. “Vai custar quanto? O planejamento estratégico das empresas já deve estar se perguntando isso”, acredita.

Antes de encerrar sua fala, a presidente de honra destacou que a Rede tem o desafio de se colocar à frente da agenda tradicional de gênero e começar a falar internacionalmente inserida em uma agenda econômica de desenvolvimento onde questões ambientais vão dialogar com a questão da qualidade de vida.

DESAFIOS

Desafio foi a palavra que também permeou o painel “Iluminando e aquecendo o Brasil com energia renovável: a nova agenda brasileira para 2030”, coordenado pelo CEBDS durante o encontro. Os painelistas apontaram o financiamento como o maior desafio hoje no Brasil para a expansão da energia solar no Brasil.

Responsável pelos Projetos Corporativos e Sustentabilidade da Schneider-Electric, Fernando Eliezer Figueiredo destacou que os altos custos e a demora no retorno do investimento têm sido barreiras para a expansão da energia solar e por isso encontrar soluções para o financiamento é preciso: “Hoje quem investe  em solar é porque levanta a bandeira da sustentabilidade. A Rede tem o desafio de levantar proposições”.

Superintendente de Energias Renováveis e Desenvolvimento Territorial da Itaipu Nacional, Herlon Goelzer ponderou que ainda não existem no Brasil estímulos para que os agricultores adotem a energia solar em seus negócios. Goelzer acredita que o agronegócio brasileiro, que já é competitivo no mundo, pode ser ainda mais competitivo se começar a investir na geração de energias alternativas como fotovoltaica, biometano, entre outras. A Itaipu está trabalhando em um projeto demonstrativo nos próximos três anos que permitirá com seus resultados apontar caminhos para formular políticas públicas adequadas para a agricultura brasileira.

Os desafios do Brasil para desenvolver instrumentos que possibilitem uma economia de baixo carbono e o protagonismo brasileiro nessa discussão internacional também foi tema da palestra da Dra Thelma Krug, diretora de Políticas para o Combate ao Desmatamento do ministério do Meio Ambiente e 

Vice-presidente do IPCC- Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

PESQUISA

O último painel do encontro apresentou as diretrizes da campanha Ecologia do Tempo que será produzida e lançada pela Rede. A expectativa é que o lançamento ocorra dentro de seis meses. Todas as integrantes da Rede estão convidadas a enviarem sugestões para a pesquisa durante o mês de agosto, por meio do site da Rede.

COMPENSAÇÃO DAS EMISSÕES DE CARBONO

Este foi o primeiro evento realizado pela Rede de Mulheres a compensar 100% das emissões de gases de efeito estufa, através de incentivos financeiros para viabilizar projetos ambientais brasileiros certificados e auditados, do Programa Evento Neutro. Esses gases são, em sua maioria, provenientes do consumo de energia, dos resíduos gerados e descartados durante o evento e da queima de combustível em função dos deslocamentos de participantes e organizadores. Foram neutralizados ao total 5.619 kg de CO².


Tag(s): Notícia