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Rede de Mulheres lança pesquisa nacional sobre uso sustentável do tempo

A Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade e a ONU Meio Ambiente lançaram em São Paulo, na Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), no dia 24/11 a pesquisa “Produzir, consumir, viver e imaginar: novos padrões de uso sustentável do tempo”. No dia 9/12 foi a vez do Rio de Janeiro conhecer a pesquisa, em evento realizado no Sindicato das Empresas de Navegação Marítima e afins do Estado do Rio de Janeiro (SindaRio).

A pesquisa tem como um dos objetivos relacionar as formas de consumo e uso do tempo à qualidade de vida em nossa sociedade atual, levantando uma série de questões tais como a falta de tempo, o tempo acelerado, a multiplicação de demandas e tarefas no dia a dia, a invasão do trabalho por meio da conexão no espaço doméstico ou privado - que deixam as pessoas esgotadas e incapazes de realizar escolhas mais sustentáveis e mais afinadas com suas aspirações, ou mais aderente ao projeto de uma sociedade mais sustentável. 

Outro objetivo da pesquisa é identificar iniciativas e ações em curso em instituições, empresas, governos e movimentos por melhor qualidade de vida que possam constituir um repertório de soluções passíveis de serem implementadas. Na investigação, o estudo pretende dar destaque à questão das mulheres e ao seu desafio de conciliar carreira com suas vidas particulares. Tem como questão de fundo uma proposta de repensar a produção, o consumo e a distribuição do tempo.

“A questão do tempo não é apenas gerenciar o tempo. Não é uma questão de fazer trabalho remoto ou não. É uma demanda da sociedade. As mulheres agora estão no mercado de trabalho. Não podemos nos contentar e adequar com o mesmo desenho de antes. Nós temos poder de decisão de transformar ou não a vida dos outros. Se estamos dizendo que esta tudo certo, ninguém vai projetar um futuro diferente”, explicou a coordenadora do estudo, a pesquisadora Samyra Crespo.

Para a pesquisadora, o tempo é um conceito difícil de ser traduzido, mas possível de ser valorado: “O tempo é um bem intangível, imaterial, mas quando você negocia horas de trabalho você traduz aquele bem intangível em valores. Nós estamos valorizando bem esse produto? O tempo virou um bem escasso, raro. Como estamos consumindo isso? De maneira consciente? Sustentável? É preciso atenção porque estamos consumindo um tempo que não volta mais”.

O tempo roubado foi um dos tópicos da pesquisa que mais chamou atenção das mulheres presentes ao evento de lançamento. Durante o debate, elas destacaram o quanto pode ser prejudicial a falta de consciência pessoal sobre o quanto o tempo das pessoas é roubado diariamente seja por deslocamentos longos, congestionamentos, ou mesmo pela conexão diária que traz o trabalho para dentro de casa, dos finais de semana e das férias. Tempo esse que poderia ser usado para o lazer,  para o ócio criativo e nos relacionamentos pessoais, só pra citar alguns exemplos. 

A busca mundial por padrões de vida mais sustentáveis é um caminho sem volta em um cenário onde mais de 50% da população mundial vivem em cidades. O estilo de vida urbano portanto deve ser valorizado sob uma nova ótima que traga saúde e bem estar. E para isso discutir a infraestrutura adequada que falta nas cidades para otimizar o tempo é outro ponto que promete acalorar os debates durante o desenvolvimento da pesquisa, assim como foi no lançamento.

A pesquisa, de natureza qualitativa,  tem previsão de entregar seus resultados em abril de 2017.  Seu formato inclui uma série de talk shows para debater o tema com os mais variados públicos. O primeiro encontro já aconteceu na ESPM em São Paulo, no final de novembro. Minas Gerais, Paraná e o Distrito Federal também receberão os eventos e companhias como a BM&FBOVESPA disponibilizarão seu espaço para acolher os debates em torno do tema.


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